Vista panorâmica de uma cidade com prédios altos e nuvens carregadas no céu, formando um cenário de tempestade ao entardecer. Vista panorâmica de uma cidade com prédios altos e nuvens carregadas no céu, formando um cenário de tempestade ao entardecer.

Super El Niño em 2026 deixa cidades em “alerta máximo”

O “Super El Niño” ganhou esse apelido devido à potencial agressividade do fenômeno em 2026. Especialistas da MetSul Meteorologia acreditam que essa pode ser a onda de calor mais forte desde 1950.

O último evento do El Niño ocorreu entre junho de 2023 e fevereiro de 2024, quando os picos de anomalia atingiram de +2 ºC a +3 ºC — o suficiente para deixar um rastro de destruição em cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. 

Desta vez, a estimativa é de que a anomalia de temperatura do Oceano Pacífico Centro-Leste alcance entre +3 ºC e +4 ºC, o que aumenta o potencial de dano e deixa cidades em estado de alerta por todo o Brasil.

O que é El Niño?

O El Niño é um fenômeno meteorológico que provoca o aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico na faixa próxima à linha equatorial (Equador) — linha imaginária que separa o Hemisfério Norte (boreal) do Hemisfério Sul (austral).

O fenômeno acontece com intervalo de 2 a 7 anos e dura, em média, de 9 a 12 meses, sem uma data fixa no calendário. Os primeiros efeitos costumam aparecer entre março e junho, ganham força no segundo semestre e atingem seu auge entre novembro e janeiro. 

O que o El Niño causa?

Essas variações afetam o comportamento regular do clima, provocando chuvas volumosas — capazes de causar enchentes e estragos por tempestades — ou períodos severos de estiagem.

De acordo com o portal do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), em parceria com outros órgãos de monitoramento, o evento de 2026 deixa cidades em alerta por todo o país. As previsões da Nota Técnica do Governo Federal apontam:

  • Risco de chuvas severas e enchentes nos estados do Sul;
  • Tendência de estiagem no Sudeste (Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro), Centro-Oeste (Goiás) e Nordeste (Bahia);
  • Ondas de calor intensas com seca na região Norte e Nordeste, que podem impactar a vida de comunidades ribeirinhas.

Qual é a diferença entre os fenômenos El Niño e La Niña?

O El Niño e a La Niña são duas fases opostas de um mesmo fenômeno climático global chamado ENOS (El Niño-Oscilação do Sul), caracterizado por alterações nas temperaturas do Oceano Pacífico Equatorial e nos padrões de vento.

Na prática, a diferença entre as duas fases se resume ao comportamento dos ventos e da temperatura do mar:

  • El Niño (fase quente): Os ventos alísios (que sopram de leste para oeste) enfraquecem, permitindo que as águas aquecidas do Pacífico se acumulem na costa da América do Sul.
  • La Niña (fase fria): Ocorre o oposto. Os ventos alísios se intensificam, empurrando as águas quentes em direção à Ásia e fazendo com que águas mais profundas e frias subam à superfície na América do Sul (conhecido como ressurgência).

O diagnóstico do ENOS é realizado por meio de índices climáticos, como o Índice Oceânico Niño Relativo (Relative Oceanic Niño Index — RONI), que monitora a temperatura da superfície do mar (TSM) na região Niño 3.4.

O fenômeno é classificado como El Niño quando a anomalia atinge valor igual ou superior a +0,5 ºC por cinco trimestres, no mínimo. Quando as temperaturas caem para valores iguais ou inferiores a -0,5 ºC de forma persistente, consolida-se a La Niña.

Cidade grande com faixa de areia exposta e pequenas poças de água, rio seco com prédios altos ao fundo sob céu azul, em dia de sol.

Como o El Niño afeta o clima no Brasil?

Tanto o El Niño quanto a La Niña causam mudanças climáticas expressivas em todo o Brasil. Veja como eles impactam o clima em cada região:

Região do BrasilEl Niño (fase quente)La Niña (fase fria)
Região SulAumento significativo das chuvas e maior risco de enchentes e tempestades com raios.Redução das chuvas, o que provoca secas prolongadas e prejudica a agricultura.
Região Centro-Oeste e SudesteInvernos mais quentes e aumento da média de temperatura.Efeitos mais variados, com tendência a facilitar a passagem de frentes frias e deixar o clima um pouco mais ameno.
Região Norte e NordesteMenos chuvas, secas e temperaturas elevadas.Mais chuvas, favorecendo a recarga de reservatórios, mas também podendo causar alagamentos.

Quando começa o Super El Niño em 2026?

O El Niño já começou oficialmente, como explica a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). O órgão monitora os fenômenos atmosféricos regularmente e confirmou a consolidação das condições do fenômeno no Oceano Pacífico, com uma probabilidade de impactos significativos estimada em 81%.

No Brasil, meteorologistas e a Defesa Civil já associam duas grandes tragédias recentes ao El Niño 2026-2027:

  1. A grande enchente no Rio Grande do Sul, ocorrida na última quarta-feira (22/07), após o transbordamento dos rios Taquari e Caí;
  2. A microexplosão em Ribeirão Preto e Franca (SP), registrada em 24/07, com rajadas de vento entre 65 e 122 km/h. O fenômeno causou uma morte, queda de energia e deslizamentos, levando o município a decretar situação de emergência.

Embora o monitoramento seja constante, a duração e a intensidade exatas do fenômeno continuam incertas. A tendência é que o El Niño se intensifique na primavera e persista até o início ou segundo semestre de 2027.

Como se preparar para o El Niño em 2026

O foco do síndico deve ser a manutenção preventiva da infraestrutura do condomínio, garantindo que o prédio suporte tempestades fortes e períodos de racionamento ou calor extremo. 

Anote o checklist das áreas que exigem atenção imediata:

  • Limpar calhas, condutores pluviais, grelhas e ralos das áreas comuns e da cobertura;
  • Testar e realizar a manutenção das bombas de esgotamento dos subsolos e garagens;
  • Verificar se há bomba de reserva disponível e operacional;
  • Vistoriar telhados (substituindo telhas trincadas ou deslocadas);
  • Checar vedações de janelas/vidros das áreas sociais e fissuras na fachada;
  • Testar e abastecer o gerador do condomínio;
  • Testar no-breaks da portaria, dos portões automáticos e dos sistemas de segurança;
  • Solicitar a poda preventiva de galhos de árvores com risco de queda;
  • Fazer a higienização e manutenção de caixas-d’água e cisternas;
  • Emitir comunicado sobre o uso consciente de água e energia;
  • Divulgar os canais de emergência da Defesa Civil do município.

Manutenção preventiva em unidades particulares

Os moradores também devem iniciar um protocolo de verificação e manutenção preventiva das unidades particulares. Confira algumas tarefas indispensáveis:

  • Checar borrachas e silicone de vedação de janelas e sacadas;
  • Desobstruir e limpar ralos de sacadas e quintais;
  • Recolher ou fixar móveis, plantas e objetos soltos nas varandas;
  • Checar protetores de surto (filtros de linha) em aparelhos eletrônicos sensíveis;
  • Limpar os filtros dos aparelhos de ar-condicionado;
  • Inspecionar torneiras, vasos sanitários e chuveiros contra vazamentos;
  • Manter uma reserva de água potável para emergências;
  • Cadastrar o CEP no SMS da Defesa Civil (40199).
Operário usando luvas e capacete trabalha na manutenção do telhado em uma área urbana, fixando e limpando a borda de um prédio alto com vista para edifícios

O seguro cobre prejuízos causados pelo El Niño?

O El Niño e os eventos específicos decorrentes dele (como vendavais, chuvas de granizo e alagamentos) são classificados como fenômenos climáticos gerais — caracterizando caso fortuito ou força maior (danos imprevisíveis e inevitáveis).

As seguradoras indenizam apenas as consequências provocadas pelo fenômeno, desde que tais coberturas adicionais estejam expressamente previstas na apólice.

Exemplo prático

Uma tempestade com raios ou surtos elétricos exige a cobertura de danos elétricos no seguro condominial ou residencial. Ela cobre a queima de eletrodomésticos, motores de portão e elevadores causados por oscilações na rede.

Para cobrir estragos causados por rajadas de vento, a apólice deve incluir a cláusula de vendaval. Assim, a seguradora indenizará prejuízos como destelhamento, quebra de vidros e estragos estruturais.

No caso de veículos com cobertura compreensiva (seguro total), a proteção costuma ser mais ampla. Na maioria das companhias, essa apólice já inclui submersão por alagamento, queda de árvores e estragos por granizo.

Ou seja: não existe uma cobertura chamada “riscos do El Niño”. O seguro indenizará as consequências de cada evento, desde que a causa específica esteja prevista na apólice.

3 motivos que afetam a indenização (atenção!)

As seguradoras podem rejeitar a solicitação se identificarem negligência ou falta de manutenção. Confira três situações comuns que afetam o seguro!

1. Falta de manutenção preventiva

Caso um imóvel alague porque as calhas estavam entupidas ou um telhado desabe porque as madeiras estavam podres, a interpretação da seguradora é de que o dano aconteceu por falta de conservação.

2. Risco agravado intencionalmente

Se o motorista tentar atravessar uma rua visivelmente alagada e o motor aspirar água (calço hidráulico), a seguradora entenderá que o risco foi agravado intencionalmente para receber a indenização.

3. Ausência da cláusula específica

Reclamar de móveis perdidos em uma enchente quando a apólice contempla apenas a cobertura de “vendaval” gerará recusa imediata. 

Dica: analise a sua apólice e procure o quadro de “Coberturas contratadas” para entender quais são as proteções ativas, os limites de indenização para cada item e como proceder em caso de sinistro.

Síndico, já programou as manutenções do seu condomínio?

Se você procura o momento certo para colocar o cronograma de manutenção em dia, a hora é agora. Como o Super El Niño ainda não atingiu seu auge, o condomínio tem a oportunidade de realizar os ajustes necessários com antecedência.

Não sabe por onde começar? Revise as manutenções pendentes e agende a visita de um técnico especializado. Você pode utilizar o módulo de Manutenções do aplicativo BRCondos para organizar tudo de forma prática.

Aproveite também para revisar a apólice do seu seguro condominial. Se precisar ajustar as coberturas, entre em contato com a BRCondos Corretora de Seguros para atualizar a proteção do seu edifício.


Referências:

  1. El Niño 2026: saiba detalhes sobre o monitoramento, previsões e os possíveis impactos do fenômeno no Brasil
  2. El Niño começa a influenciar o tempo em Santa Catarina com calor fora de época e temporais
  3. O que precisamos saber sobre o El Niño e seus impactos para o Brasil? — Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  4. MetSul: enchente no RS é o primeiro efeito do Super El Niño no Brasil
  5. Nota Técnica – EL NIÑO 2026